Tempo com fermento

O tempo, obediente, passa. E a impressão é que, com os aniversários, com as tarefas múltiplas, com as demandas por atenção que chegam de todas as formas e tamanhos, ele vai apresentando-se ainda mais minguado.

Justamente por viver em constante negociação com o tempo, esse tem sido um assunto irresistível pra mim. Tanto que já apareceu neste espaço de um jeito ou de outro, como protagonista ou como cenário, derramando melancolia ou prometendo alívio.

E sei que não estou sozinha. Seu nome é paraninfo do clube das banalidades repetidas entre um fôlego e outro. O tempo voa. O tempo não para. Se sobrar um tempo. O tempo cura tudo. Nada como o tempo. Dar tempo ao tempo. Naquele tempo. No meu tempo.

Para além da sensação de que a distribuição dos minutos, dos dias úteis e das horas de folga é injusta, é difícil escapar do encargo de avaliar o que se fez com o tempo que lhe foi dado. É preciso ser muito desapegado para não se render a uma revisão. E é ter muito autocontrole sair desse exame sem se dar conta da quantidade de desimportâncias que roubaram um pedaço da sua vida.

Mas como procurar notícias boas é uma das minhas especialidades, fui recompensada nesta semana, enquanto conferia uma das inúmeras abas que ficam abertas no meu computador, quase sempre condenadas a serem fechadas no fim do dia sem qualquer tipo de vistoria.

Foi na revista “Galileu” que finalmente encontrei a resposta para boa parte das minhas questões, com a promessa de uma vida linda e leve já impressa no título: “Conheça o segredo para fazer o tempo passar mais devagar”.

Não sou egoísta, vou dividir a descoberta com vocês. Segundo o neurocientista David Eagleman, professor na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, o segredo para um dia parecer mais longo que o normal está em preenchê-lo de experiências completamente inéditas. Ele explica que ao vivenciarmos algo novo, tudo parece ter durado mais tempo do que realmente durou, justamente porque nosso cérebro estava totalmente focado em coletar o máximo possível de informações.

Planejar a primeira vez, esperar por ela, ser surpreendida pelo que não se sabia, colecionar estreias. Esses são meus planos para desde já para garantir a lembrança de um longo e empolgante final de semana. Depois conto se deu certo.

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